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Gestão de TI

A terra da velocidade

05.14.10 | 6 comentários

Recentemente tive oportunidade de me envolver em projetos paralelos no Brasil e Estados Unidos, e a diferença na rapidez com que coisas acontecem não podia ser maior entre os dois países.

Abaixo, uma amostra dos acontecimentos, sem qualquer exagero ou distorção. Inicialmente, uma comparação entre a capacidade de planejar e estimar a disponibilidade da equipe do cliente para dar início aos trabalhos:

Brasil

Janeiro: Contatos iniciais com o cliente interessado em começar um projeto imediatamente.
Janeiro – Março: Negociação dos termos do contrato.
Maio: Assinatura do contrato pelo cliente. Execução e entrega dos resultados.

Estados Unidos

Outubro: Contatos iniciais com o cliente.
Outubro: Assinatura do contrato para início em janeiro, a pedido do cliente.
Janeiro: Execução do contrato e entrega dos resultados.

Comparem a capacidade de planejar da organização brasileira, que tinha interesse em que o trabalho fosse realizado imediatamente, e só conseguiu iniciá-lo meses depois, com a da empresa americana, que não só antecipou a assinatura do contrato para garantir espaço na minha agenda de consultora, como cumpriu à letra o combinado e colocou tempestivamente à minha disposição os recursos necessários para a execução do projeto dentro do planejado.

Esses não são exemplos isolados; eu tenho procurado evitar projetos no Brasil porque o problema se repete constantemente. É praticamente impossível criar um planejamento das minhas atividades de consultora porque os clientes 1) sempre querem tudo para ontem; 2) dificilmente estão em condições de realizar a sua parte para que o projeto aconteça no curto prazo desejado.

No que tange à velocidade com que se avança num objetivo, então, Brasil e Estados Unidos se encontram em pólos opostos. Eis aqui um exemplo do que acontece por aqui:

Há 2 semanas eu mudei de cidade. Uma semana depois, entrei em contato com o dono de uma pequena empresa de consultoria que havia conhecido via LinkedIn. No dia seguinte encontramos para conversar sobre meus interesses de trabalho. Nesse mesmo dia ele enviou mensagens para 4 executivos, presidentes de start-ups em diversas áreas de atuação. Todos marcaram reuniões para a mesma semana, resultando em duas propostas de consultoria e uma parceria de negócio.

É claro que esse tipo de velocidade só existe em empresas menores, com poucos níveis hierárquicos. Mas se as grandes empresas americanas têm um processo bem mais lento que as organizações de menor porte, a diferença de velocidade em que as coisas acontecem, comparando-se uma empresa americana e outra brasileira de mesmo porte, é algo extraordinário.

Na prática, isso significa que para uma empresa prestadora de serviços ou consultor que tenha a possibilidade de escolha, é muito mais vantajoso focar nos Estados Unidos. O nível de produtividade e eficiência alcançado com um cliente que é capaz de organizar-se e disponibilizar os recursos no momento certo reduz o número de horas a serem dedicadas aos projetos (antes e depois da contratação), aumentando significativamente a lucratividade do prestador do serviço.

Ao visitar o Brasil recentemente, fiquei surpresa ao ouvir muitos profissionais bem qualificados contando como estão trabalhando 10 ou mais horas por dia. Nos Estados Unidos é comum ver o mesmo tipo de profissional trabalhando de 9 às 5, com tempo de sobra para dedicar a hobbies e à família. E isso num país considerado de “workaholics”, que colocam o trabalho à frente de tudo, ao contrário dos brasileiros e europeus. Não é difícil concluir que a velocidade em que as coisas acontecem por aqui tem a ver com essa diferença: quanto menos tempo desperdiçado com idas e vindas, reuniões desnecessárias, descumprimento de prazos, etc., menos tempo é preciso permanecer no escritório para realizar o trabalho.

 

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