Em artigo de outubro, Fernando Birman (Diretor de TI da Rhodia e colunista do ComputerWorld) faz observações perspicazes sobre a recessão econômica e seus impactos sobre a tecnologia da informação, mostrando como os efeitos da desaceleração econômica na TI vão além do simples cancelamento ou adiamento de projetos, proporcionando, por exemplo, uma nova abertura para as soluções gratuitas e abertas.
Nos Estados Unidos (não sei se também no Brasil), livros de auto-ajuda e apresentações de “gurus” do mundo do negócio costumam citar como fonte de inspiração um suposto provérbio chinês que explica que a palavra “crise” seria formada pelos símbolos chineses para “perigo” e “oportunidade”. Pesquisadores universitários que conhecem bem o mandarim já esclareceram que tudo não passa de um mal-entendido, mas em casos de desaceleração econômica, a associação entre “crise” e “oportunidade” sem dúvida faz bastante sentido na área de TI.
Fernando Birman conclui seu artigo dizendo que “apesar do clima negativo, não podemos nos desesperar. Tal experiência é uma oportunidade única de racionalização, questionamento e redesenho.” E é exatamente o que tenho visto acontecer em empresas de Wall Street que conseguiram sobreviver à recente onda de falências: a interpretação da crise como uma grande oportunidade para a TI transformar sua estrutura e adotar modelos operacionais mais enxutos.
Ao obrigar as empresas a reexaminar com lente de aumento suas despesas, a recessão econômica tem começado a apresentar alguns resultados positivos para a TI, não só internamente (por exemplo, um software proprietário de alto custo, cuja licença era renovada anualmente sem uma análise de custo/benefício apoiando a despesa, substituído por um produto open source de qualidade superior e menor custo, ou a decisão de adotar a metodologia Agile para acelerar o desenvolvimento de software, que vinha sendo protelada há anos devido a divergências de opinião), mas também para o ambiente externo (e.g., medidas concretas para reduzir o consumo de energia elétrica nos data centers e o volume de impressão em papel, que acabam trazendo benefícios também para o meio ambiente).
Este acaba sendo o lado positivo da recessão: desafiar a liderança de TI a encontrar novos caminhos para otimizar os recursos e deixar a organização pronta para abraçar um novo ciclo de crescimento quando a crise estiver superada.
