Gestão de TI

É preciso respeitar os “rules of engagement”

02.11.10 | Permalink | Deixar comentário

De tempos em tempos eu volto a fazer um projeto para clientes brasileiros, e nessas ocasiões sou sempre lembrada de como é mais difícil lidar com executivos e gerentes no nosso país.

Por exemplo, antes de começar um projeto de consultoria, eu explico para o potencial cliente quais são os “rules of engagement” – as diretrizes que definem o comportamento esperado de consultor e cliente, os objetivos, expectativas, escopo do serviço, etc. No caso de clientes americanos, as regras são aceitas e respeitadas no decorrer do projeto; no caso dos brasileiros, a aceitação é normalmente “pro forma”, e as diretrizes são quebradas sem cerimônia a qualquer momento.

Casos comuns de quebra do acordo incluem telefonemas fora de hora (quando as regras estabelecem que os contatos serão feitos de preferência por email, e qualquer comunicação por telefone ou Skype deve ser precedida de um email oferecendo duas opções de horário), falta de disciplina na entrega de material de subsídio para o projeto nos prazos acordados, e períodos de inatividade do projeto seguidos de pedidos desesperados para se terminar uma etapa já em atraso.

A impressão que fica para alguém acostumado a trabalhar no mercado americano é de falta de profissionalismo. Ou as regras acordadas não eram apropriadas para as necessidades do cliente (e precisariam ser revistas durante a fase de negociação do projeto), ou falta mesmo organização e método na forma de trabalhar de muitos brasileiros, que simplesmente não conseguem seguir um “roadmap” criado não para burocratizar o projeto, mas sim para garantir prazo, qualidade e preço para o cliente.

No final, não há ganho para nenhuma das partes quando o cliente age de forma incoerente com as regras estabelecidas para um projeto. A falta de consistência e previsibilidade acabam gerando atrasos constantes, e causando aumento no preço dos projetos (já que o consultor precisa estimar uma “reserva” de tempo para gerenciar os imprevistos e atrasos do lado do cliente).

Por causa da frequencia com que esses problemas acontecem, atualmente, meus projetos de consultoria para clientes brasileiros limitam-se a organizações com fins sociais (que, mesmo sofrendo dos mesmos defeitos, pelo menos estão trabalhando para o bem comum, justificando um pouco o sacrifício da minha parte). Muito raramente me disponho a desenvolver um projeto para uma empresa no Brasil. É fácil perceber já na fase de conversa inicial que o projeto não vai se desenvolver como esperado, quando o diálogo é constantemente interrompido por longos períodos de silêncio, e retomado com um senso de urgência, apenas para logo em seguida ser deixado de novo para “depois do Carnaval”.

Enquanto isso, projetos que levam meses e mesmo anos no Brasil são realizados corriqueiramente em semanas nos Estados Unidos. Não vejo isso como um problema de competência do nosso quadro de trabalhadores, mas sim de falta de objetividade dos tomadores de decisão e, muitas vezes, da insuficiente delegação de poder que faz com que muitos projetos sofram de indefinição, quando altos executivos permanecem encarregados de tomar decisões que fariam muito mais sentido ser tomadas por gerentes que na prática possuem a responsabilidade, mas não a autoridade sobre seus próprios projetos.

Gestão de TI

Falha de TI afeta viagens de estrangeiros para o Brasil

09.05.09 | Permalink | 2 comentários

Sarah Lacy, que escreve para a BusinessWeek, pretendia passar as duas próximas semanas no Brasil fazendo pesquisa para um livro sobre empreendedorismo em mercados emergentes. A viagem teve que ser cancelada porque o visto, prometido para duas semanas atrás, ainda não foi emitido.

Segundo artigo publicado pela TechCrunch, o problema foi causado pela instalação de um novo sistema nos escritórios dos consulados brasileiros, com computadores enviados em número insuficiente e sem o software adequado para processar os pedidos.

Sarah reclama, depois de ter que cancelar a viagem por conta dos prazos prometidos e não cumpridos:

You want to show your IT prowess? How about outfitting your consulates with computer systems that work? Or maybe rolling it out slowly so other offices could handle the overflow. Or training people on it first.

(…)

The country should be embarrassed, and its businesses should be furious. I’m going to aim to try this whole Brazil thing again in December or January. It’s not the entrepreneurs’ or our readers’ fault this happened, and I still believe there are great stories in Brazil that I want to report. But when you’re harder to get into than China, it doesn’t bode well for foreign investment, Brazil.

De acordo com o artigo, a viagem de muitos americanos foi impedida pelo atraso na emissão dos vistos. Realmente, fica difícil querer se colocar como um pólo atraente para offshore outsourcing quando até mesmo uma simples viagem ao país pode ficar comprometida pela dificuldade de se conseguir visto. Muitos comentários no site TechCrunch reclamaram da posição da autora, considerada arrogante, mencionando a questão da reciprocidade de visto entre os países, mas o fato é que o prazo para tirar visto para os Estados Unidos pode ser longo, e o processo complicado (além de sem garantia de sucesso), mas pelo menos não se ouve falar de atrasos de última hora causados por falta de planejamento da continuidade do serviço.

Gestão de TI

Universidades no Brasil vs. Alemanha

08.21.09 | Permalink | 4 comentários

Não muito animador o comentário de Boris Goger, que trabalha com desenvolvimento de software em Munique, a respeito da sua visita a uma Universidade brasileira (tradução minha):

Brazil, University

August 17th, 2009

Semana passada visitei a UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco, em Recife. Um lugar incrível. É possível sentir a energia do lugar e entender imediatamente que as pessoas nessa universidade realmente querem estudar.

Mas por outro lado, eu também fiquei chocado. O ambiente é ruim. Os prédios não parecem com uma universidade, e os computadores que se vê nos laboratórios são super antigos. Mas… obviamente isso não faz as pessoas deixarem de estar felizes por estudar. Se você visse aquilo, você não iria nunca pensar que não tem condições de estudo boas o suficiente na Alemanha. Legal!

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